O tema do CIAB 2007 é "Mobilidade – seu banco sempre com você". Não à toa, tantos fornecedores e desenvolvedores de soluções aproveitam o evento para mostrar suas soluções e o potencial do uso dos dispositivos móveis, em especial, o celular - que hoje no Brasil possui mais de 100 milhões de linhas ativadas - como substitutos naturais dos meios de pagamentos eletrônicos tradicionais. Não apenas os fornecedores de soluções apostam suas fichas no celular como um meio de pagamento. As próprias operadoras também estão investindo na área. Tanto é assim que concessionárias como a Oi,a TIM e a CTBC aproveitam o evento para mostrar seus novos serviços ligados ao mobile banking e mobile payment. Só que o tema ainda precisa de mais respaldo junto aos gestores de tecnologia. Durante a realização do painel "Visão Estratégica de Lideranças de TI", CIOs de várias instituições financeiras do país salientaram que a mobilidade não é prioridade. Segurança e padrões ainda estão no topo da lista de investimentos. Muitos, inclusive, consideram a tecnologia como muito nova e incipiente. "A mobilidade ainda é muito nova e insipiente. Será a próxima geração que irá usá-la", disse Gustavo Roxo, do ABN Amro. "A mobilidade hoje está muito mais voltada para a conveniência do que para a bancarização em si", sentenciou Alberto Guerrero, do Santander. Os executivos concordaram que,agora, é o momento de realizar testes para entender este novo veículo - o celular como meio de pagamento - e analisar as suas reais possibilidades de integração à máquina bancária. Em foco: segurança e padronização Para os gestores de TI, questões como segurança e padronização ainda estão no topo da lista de prioridades de investimentos, até para tornar a operação bancária mais ágil e produtiva. Para Gustavo Roxo, do Banco Real, a questão toda é equilibrar procedimentos de segurança com usabilidade. "O cliente precisa perceber que está seguro e também conseguir realizar suas operações sem complicações. A segurança não pode inviabilizar a realização de negócios", comentou. Ainda segundo o executivo, os procedimentos e tecnologias ligados à segurança são coisas que devem ser compartilhadas entre a comunidade das instituições financeiras. "A segurança beneficia a sociedade como um todo, por isso compartilhar é interessante para a comunidade", salientou. Para Júlio Almeida Gomes, do Unibanco, também é preciso estender os mesmos altos níveis de segurança para todos os meios de interação cliente/banco, uma vez que as ameaças migram de meios: "quando protegemos a Internet, as fraudes vão para os ATMs. Quando reforçamos a segurança nos caixas eletrônicos, elas vão para outro meio". Para exemplificar isso, o especialista afirmou que, em função dos altos investimentos em segurança nos bancos online, as fraudes caíram muito nesse meio. "Agora há outros pontos de interação sendo mais atacados, mas não posso citá-los por questões de segurança", afirmou. Em relação à padronização, todos os CIOs presentes foram unânimes em afirmar que trata-se de uma evolução necessária, mas nenhum deles deu motivos práticos para isso estar demorando a acontecer. Glória Guimarães, do Banco do Brasil, vê esperanças em relação à certificação digital. Segundo ela, trata-se de um bom ponto de princípio para a padronização de sistemas. Além disso, a executiva cita a biometria, que também poderia ser uniformizada. "Hoje um banco usa as mãos, outro os dedos, outro a retina. Acho que a escolha de apenas um deles traz vantagens para todos, como um ganho de escala em relação à tecnologia", exemplificou. CIAB em destaque O diretor setorial de tecnologia e automação bancária da Febraban, Carlos Eduardo Corrêa da Fonseca, mais conhecido como Karman, detalhou durante a abertura do evento aqueles que serão os assuntos tratados durante a 17ª edição do evento. “A determinação dos temas deste ano foi precedida por seminários e road shows em nove capitais latino-americanas, realizados durante os últimos nove meses”, conta o diretor. Segundo ele, os painéis e debates girarão em torno de cinco temas básicos: mobilidade, segurança na web, digitalização de documentos, certificação digital e meios de pagamentos. Estes teriam sido os assuntos identificados como de maior interesse dos cerca de 1,6 mil visitantes e congressistas esperados durante os três dias do Ciab 2007. Outra novidade do evento este ano fica por conta do Espaço Inovação. Trata-se de uma iniciativa da Febraban, em parceria com o Instituto de Tecnologia de Software (ITS), para incentivar “start-ups” e empresas incubadas. “Selecionamos 24 entre cem empresas que inscreveram seus projetos”, explica Karman. Na sexta-feira (15), último dia do evento, três desses trabalhos, selecionados por especialistas de TI do setor financeiro, serão apresentados em um painel específico no Ciab. Também durante a abertura do Ciab 2007, realizada nesta quarta-feira,13/06, Antonio Francisco de Lima Neto, presidente do Banco do Brasil, falou do papel da tecnologia no desenvolvimento da instituição financeira. Ele falou sobre como o Banco do Brasil iniciou suas atividades online, há 25 anos, como perdeu espaço para a concorrência ao deixar passar o bonde da unificação do atendimento e, depois, como se recuperou com novos e pesados investimentos em tecnologia. “Hoje, todos no banco sabem muito bem que foi o investimento em TI que nos permitiu saltar de seis milhões para quase 25 milhões de clientes em apenas 12 anos”, afirmou o executivo. Em 2008, de acordo com Lima Neto, o Banco do Brasil comemora seus 200 anos de existência.
14.6.07
Gestores de TI mostram cautela com adoção 'rápida' da mobilidade
30.5.07
Padronização é o maior desafio do Mobile Banking
O diretor de Tecnologia da Federação Brasileira de Bancos, Carlos Eduardo Fonseca, admite que para transformar o celular num meio de pagamento efetivo, operadoras, bancos e governo terão que sentar à mesa e criar um modelo de negócios, como aconteceu com o SPB -Sistema de Pagamentos Brasileiro, que completou cinco anos de funcionamento no último dia 22 de abril.
O batizado SPB Mobile, explica Fonseca, requer uma padronização efetiva de serviços, especialmente, nos de clearing (câmara de compensação) e de mensageria. "Hoje tudo funciona de forma isolada. Cada um usa o que quer. Assim, a mobilidade não vai nunca deixar de ser um nicho", alertou o diretor da Febraban.
Este ano, aliás, a mobilidade é o tema central do CIAB 2007. Não à toa, existe tanta preocupação em fomentar o negócio. A idéia da Febraban, explicou Carlos Eduardo Fonseca, é incluir a CIP - Comissão Interbancária de Pagamentos do Banco Central - como o meio de fomento para os negócios. A entidade do Banco Central atuaria como elo de ligação entre os bancos, as operadoras e os desenvolvedores de soluções.
"No SPB funcionou muito bem. Para montarmos esse modelo, todos sentaram à mesa e houve uma padronização de serviços, de infra-estrutura", observou o diretor da Febraban. "Com a mobilidade não poderá ser diferente. Infelizmente, hoje, há pilotos isolados. Não há uma busca pela interoperabilidade.A padronização, especialmente, dos serviços de mensageria são cruciais para o sucesso de adotar o celular como meio de pagamento", destacou.
Apesar de todo o marketing ligado ao tema 'mobile banking', a própria pesquisa da Febraban admite que há poucas iniciativas em curso. Entre elas, ganha destaque o uso da ferramenta no Banco do Brasil, que apesar de ainda estar muito focada em consultas a extratos e saldos, já atinge 440 mil correntistas da instituição.
Depois de sentar à mesa, com a provável intervenção do Banco Central e da cIP, como aconteceu no SPB, os bancos e as operadoras também terão que discutir o melhor modelo de negócios, e nesse tópico, surge a necessidade de a CIP, provavelmente vir a atuar ou gerenciar uma clearing para centralizar o volume de tráfego e as ligações efetivadas.
" Ter uma clearing no mobile banking me parece essencial. As operadoras precisam centralizar o tráfego para montar o modelo de tarifação do serviço. O custo da aplicação móvel ainda é elevado, seja no item voz, seja no item dados. Há gordura para enxugar", declarou Fonseca.
"Além disso, não é possível centrar esforços tão somente para determinados tipos de terminais, os mais caros e voltados para as classes de maior poder aquisitivo. O mobile banking tem que ir para todos os correntistas", completa o diretor de Tecnologia da Febraban.
Sem querer entrar no mérito político da discussão, Fonseca, da Febraban, também se mostrou preocupado com a demora do governo em definir a migração do serviço móvel para a Terceira Geração. "Sabemos que a 3G, além da velocidade, agrega valor aos serviços, assim como, pode ajudar na inclusão digital e social do brasileiro", destacou.
No CIAB 2007, haverá a apresentação do uso da tecnologia de mobile banking pelo banco sul-africano FNB (First National Bank). A palestra será ministrada pelo CIO (Chief Information Officer) da instituição, Len Piennar. O FNB possui quase um milhão de clientes exclusivos do canal móvel.
Nesta quarta-feira, 30/05, a Febraban apresentou a pesquisa "Setor Bancário em Números", nela ficou estabelecido que o orçamento de Tecnologia da Informação dos bancos será de R$ 15, 5 bilhões em 2007. Os investimentos em novos sistemas e tecnologias são estimados em R$ 5,9 bilhões. Além disso, o estudo apontou ainda que o Brasil, este ano, ultrapassou a marca dos 100 milhões de correntistas.