Notícia do Teleco.
OI fica com a Amazônia Celular, a VIVO ficou com a Telemig Celular. O último pequeno grupo de telefonia, até então sob controle do Opportunity, acabou pulverizado.
O mercado de telefonia no Brasil e no mundo. Os serviços que a convergência entre serviços de dados e telefonia trarão, seus problemas e questões regulatórias. Por Rafael Pellon
A Vivo - depois de uma série de rumores e até desmentidos oficiais por parte dos seus controladores - confirmou na noite desta quinta-feira, 02/08, a compra da Telemig Celular e da Amazônia Celular.
Inicialmente o valor acertado foi de R$ 1,213 bi por um valor agregado de 22,7% e 19,7%, das ações da Telemig e da Tele Norte Celular, respectivamente. Com a compra, a Vivo adiciona 4,8 milhões de assinantes na sua base e reforça sua posição de líder nacional no market share da telefonia móvel celular brasileira - 33% - chegando a 35,1 milhões de assinantes.
A operadora planeja ainda realizar ofertas públicas de compras de ações, que darão à ela uma participação de 58,2% na Telemig Celular e 54,6% na Amazônia Celular. Neste caso, o valor do negócio - em caso de sucesso da iniciativa da Vivo - subiria para R$ 2,9 bi.
A conclusão da transação está sujeito à aprovação da Anatel, da ratificação nas assembléias gerais de acionistas da Vivo e Telpart, entre outras condições precedentes usuais.
A compra da Telemig Celular, e da sua co-irmã, Amazônia Celular, movimentou o setor nos últimos meses, e especialmente, nestas duas semanas, com muitas especulações em torno do valor do negócio. O valor máximo divulgado foi de R$ 3,5 bi.
Outras duas operadoras, Claro e Oi, participaram do data room de venda e apresentaram propostas, mas terminaram sendo superadas pela Vivo, que finalmente, desembarca em Minas Gerais, área onde não mantém nenhuma operação. Minas Gerais, aliás, passa a ter cinco concorrentes: Vivo, TIM, Claro, Oi e CTBC.
Agora fica faltando à Vivo entrar em parte do Nordeste, para atingir a cobertura nacional. Exatamente por isso, o presidente da operadora, Roberto Lima, confirmou que irá participar do leilão das sobras do SMP, cujas propostas serão entregues pelos interessados à Anatel no dia 18 de setembro.
Durante a teleconferência de resultados da Vivo, realizada no último dia 20/07, o executivo já deixava claro, em função dos rumores, que a Vivo participaria de todo e qualquer leilão para 'comprar' espectro. Lima também confirmou que a Vivo mantinha a previsão de investir aproximadamente R$ 700 milhões, apenas em infra-estrutura no Estado de Minas Gerais.
A Vivo já sabe que na área da Amazônia Celular terá que haver um acerto, uma vez que há sobreposição de licenças. Lima ressaltou que, certamente, haverá a devolução de freqüências e licenças ao órgão regulador, que ainda será notificado da transação. Nesta sexta-feira, 03/08, Telemig Celular anuncia o início da operação da Terceira Geração, em WCDMA, que tem a Ericsson como principal fornecedora.
CIDADE DO MÉXICO - A América Móvil deve aumentar a presença no Brasil mesmo após ter perdido a disputa pela Telecom Italia.
Executivos da América Móvil, também conhecida como Telmex, disseram a investidores em um evento a portas fechadas nesta semana que a companhia continua interessada no Norte do Brasil, onde atua a operadora Amazônia Celular, colocada à venda e controlada pelo mesmo grupo que detém a Telemig Celular, também à venda.
O analista Raul Ochoa, do HSBC da Cidade do México, afirmou após a apresentação da América Móvil que "no Brasil, eles estão interessados no Norte, onde ainda não estão presentes".
Há alguns meses, a América Móvil se associou com a Telmex e com a norte-americana AT&T para fazer uma oferta pela Telecom Italia . Mas o grupo encontrou forte resistência depois que a AT&T desistiu do negócio.
Após a desistência da AT&T, a balança da disputa pela Telecom Italia se inclinou para o lado da espanhola Telefónica . Analistas acreditam que o motivo principal da América Móvil na tentativa de aquisição de parte da companhia italiana seria a TIM Brasil, única operadora do país com rede nacional.
O LADO POSITIVO
Mas executivos da companhia comentaram, de acordo com Ochoa, que não estão preocupados com a aquisição de parte da Telecom Italia pela Telefónica, sua principal competidora na América Latina, pois acreditam ser difícil que o governo brasileiro permita a fusão dos ativos das empresas no país.
"A autoridade brasileira de telecomunicações, a Anatel, é muito zelosa quanto à concorrência", disse Ochoa, citando comentários de executivos da América Móvil.
Se Telefónica, que controla 50 por cento da operadora celular Vivo, e TIM fundirem suas operações no Brasil, é provável que as autoridades forcem os grupos a se desfazerem de ativos ou até de frequências, o que seria uma boa notícia para a América Móvil.
"Não estão seguros de que a autoridade brasileira permita a fusão sem a devolução de algumas concessões (...) eles vêem isso como uma vantagem", afirmou Andrés Bezanilla, analista da corretora Valmex, que também participou do encontro.
Por sua parte, a América Móvil informou durante a reunião com os analistas que poderá reduzir no futuro sua taxa de investimento em relação ao faturamento, em meio a um contínuo esforço para aumentar sua rentabilidade.
Nota oficial divulgada nexta sexta-feira pela BenQ Mobile confirma a informação divulgada com exclusividade pela jornalista Sonia Racy, no jornal O Estado de São Paulo: A unidade brasileira foi vendida e encontra-se em processo de troca e controle societário.
A íntegra da nota oficial traz as seguintes informações:
Os empresários Enzo Monzani e Conrado Will, que adquiriram a Zoomp no ano passado, realizaram um "due diligence", investigação dos negócios/operações, com a BenQ Mobile no Brasil e assinaram o termo de intenção de compra da unidade brasileira da empresa.
O acordo de uso da marca, bem como contrato para transferência das ações da unidade brasileira, estão em processo de assinatura. Hoje, a operação da subsidiária pertence à BenQ Mobile BV, na Holanda.A marca e a estrutura de operações, que inclui um centro de P&D e uma unidade fabril em Manaus, serão mantidas. Denise Santos, atual presidente, continuará em seu posto, assim como os demais executivos e profissionais da empresa.
Esta negociação favorece uma revisão da estrutura financeira da operação brasileira da BenQ Mobile, que objetiva fundamentalmente a retomada de crescimento. A BenQ, empresa de origem taiwanesa, após o fechamento de sua divisão na Alemanha, vem sofrendo diversos problemas em nível mundial em suas subsidiárias. A divisão brasileira apesar dos bons resultados em vendas, principalmente no varejo, passou a ser influenciada pela situação mundial.
A entrada de um novo investidor com larga experiência em processos de "turnaround", relações estáveis com fornecedores em geral e mercado financeiro possibilitará a estruturação da companhia, o que vai assegurar a continuidade dos negócios no país e favorecerá a retomada de crescimento da empresa, bem como recuperação e normalização junto aos fornecedores e instituições financeiras.
A companhia manterá produção local, em Manaus, que conta com aproximadamente 400 funcionários.
Num embate cada vez mais particular travado entre os espanhóis e os mexicanos pela liderança do setor de telecom, a Telefônica impôs uma derrota de peso ao megaempresário Carlos Slim. Num consórcio formado com as italianas Generali, Intesa-SanPaolo, Mediobanca e a própria Sintonia (ligada ao grupo Benetton), a Telefônica comprou os 18% que a holding Olimplia, da Pirelli, detém na Telecom Italia. Negócio é avaliado em 4,1 bilhões de euros - US$ 5,6 bilhões.
A conclusão do negócio foi formalizada neste sábado, dia 28 de abril. Num comunicado à imprensa, a holding Olímpia, liderada pela Pirelli, sob o comando do ex-presidente da Telecom Italia, Marco Tronchetti, informou que um consórcio liderado pela Telefónica e por grupos italianos adquiriram os 18% da Olímpia na gigante italiana. Desse percentual 80% são da Pirelli e 20% da Sintonia Spa e Sintonia SA, do grupo Benetton, que permanecem no negócio, já que são integrantes do consórcio liderado pela operadora espanhola.
De acordo com notícias veiculadas na imprensa italiana e espanhola, o consórcio comprador da Olímpia detém ainda o direito de comprar mais 5,6% das ações da Telecom Italia, assumindo assim, caso a aquisição ocorra, 23,6% do controle total da operadora italiana.
O acordo prevê que a Telefônica irá nomear dois membros na diretoria da Telecom Italia em função da sua participação indireta de 10%. As duas operadoras, informam ainda comunicados distruídos à imprensa, terão gestão independente, mas planejam, sim, cortar custos com sinergias, após a conclusão do negócio, prevista para outubro, já que precisa receber autorização das autoridades regulatórias.
O governo italiano, na prática, comemorou o resultado. Havia uma grande preocupação das ações da Olímpia, liderada pelo ex-presidente da Telecom Italia, Marco Tronchetti, ficasse nas mãos de "estrangeiros", e especialmente, nas mãos do grupo ligado ao mexicano Carlos Slim.
A proposta repercutiu muito mal na Itália. O governo italiano temeu a possibilidade de a Telecom Italia deixasse de ser controlada por 'italianos'. Diante da pressão, a AT&T retirou a sua proposta e deixou o grupo América Móvil sozinho.
Para evitar a presença dos mexicanos, Telefónica, France Telecom e, até a Deustche Telecom, começaram a negociar acordos para ficar com a parte da holding Olimpia. Apesar do baque provocado pela saída da norte-americana AT&T, a América Móvil não desistiu.
A operadora mexicana - com a desistência da AT&T - buscou parceiros no mercado italiano, mas desta vez, a Telefónica se mostrou mais eficiente na negociação e, por fim, derrotou a arqui-rival América Móvil, com quem trava um duelo pela liderança do mercado de telefonia na América Latina.
Especulações
No comunicado distribuído à imprensa, os integrantes do consórcio vencedor da proposta pela aquisição da Olímpia informam que pretendem criar uma nova empresa, a TelcoSpA, na qual a Telefônica terá 42,3% e os demais sócios italianos - Generali, Intesa-SanPaolo, Mediobanca e a própria Sintonia (ligada ao grupo Benetton) - ficam com os 57,7% restantes.
Oficialmente até a aprovação do negócio pelos órgãos reguladores, não há qualquer conseqüência direta da aquisição no mercado brasileiro envolvendo a Telefónica e a TIM, mas a verdade é que com assento no controle da Telecom Italia, os espanhóis passam a ter uma relação mais estreita com a operadora italiana.
Vale lembrar que a relação da Telefónica com a Portugal Telecom, operadora com a qual detém 50% das ações da Vivo, operadora líder do mercado de telefonia móvel no país, não é das melhores desde que o grupo espanhol votou favoravelmente à venda da PT ao grupo Sonaecom, oferta rejeitada pela maioria dos acionistas.
Oficialmente, inclusive, as duas operadoras - Telefónica e Portugal Telecom - admitem que negociam a venda das ações da Vivo, sendo que a Telefónica enviou comunicado à CVM, após a onda de rumores que fizeram na semana passada, as ações da Vivo dispararem em dia de baixa na Bovespa.
O certo,agora, é que a Claro, que na última semana anunciou os resultados do trimestre e está na terceira posição do ranking nacional,mas obteve um resultado financeiro positivo e até surpreendente para o mercado, apesar da estratégia de 'dar' celulares gratuitos aos assinantes, não contará mais com a possível incorporação da TIM, segunda colocada, mas bem próxima da Vivo, que ainda detém a liderança do market share nacional, mesmo não atuando no Nordeste e em Minas Gerais, para chegar ao primeiro lugar, um desafio imposto à gestão da operadora brasileira do grupo América Móvil.
A definição dos rumos da Telecom Italia deverão provocar novos rounds para o mercado brasileiro de telefonia. No mercado móvel, as atenções podem ser voltar para onde há uma operação à venda: Telemig Celular e Amazônia Celular, em função das desavenças entre os acionistas. Pode-se esperar que, agora, a aquisição dessa operação possa vir a ser o mais novo embate entre espanhóis e mexicanos na briga pelo poderio do setor na América Latina.
Mas também há a opção da Telefónica entrar na Brasil Telecom, já que a Telecom Italia não quer continuar à frente do negócio. Essa nova opção, inclusive, mexe, agora, com o mercado de telefonia fixa. Até então, se trabalhava por uma mudança no marco regulatório imediata do setor para buscar uma possível fusão entre Brasil Telecom e Oi(ex-Telemar). Só que, agora, a Telefónica ganha presença na Brasil Telecom. Claro é que o negócio também deverá passar por uma avaliação aqui no Brasil nos órgãos reguladores como a Anatel e o CADE.