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10.9.07

Ericsson lança ERB "verde"

Convergência Digital

Atenta à onda verde no setor de Tecnologia, a Ericsson desenha um novo modelo de estações rádio-base, batizado de Ericsson Tower Tube. As novas ERBs também oferecem economias às operadoras.

De acordo com comunicado da empresa, o design moderno, elaborado pelo renomado arquiteto escandinavo Thomas Sandell, representa uma abordagem totalmente nova – uma torre de concreto flexível de 40 metros de altura e 5 metros de diâmetro abrigando todos os equipamentos da estação rádio-base, inclusive as antenas.

A estética desse novo conceito de site, conhecida como Ericsson Tower Tube, também se beneficia pela escolha dos materiais de construção. A torre de concreto flexível pode ser colorida e incorporar a marca da operadora, para combinar com o ambiente ao seu redor, ou ser um atrativo ponto de referência para a comunidade local.

Além disso, o uso do concreto é muito melhor para o meio ambiente do que o aço, reduzindo em 30% a emissão de CO2 (gás carbônico) durante a sua produção e transporte. Diferente dos projetos padrões, a estação rádio-base é posicionada no topo da torre, reduzindo a distância da antena.

Isso aumenta a capacidade e cobertura da rede celular e, em conjunto à eliminação de refrigeração ativa, pode representar uma economia de energia de até 40%. O novo desenho ocupa de 60 a 75% menos área comparado às estações convencionais, facilitando a aquisição de locais para instalação.

Por ser uma estrutura completa, a Ericsson Tower Tube dispensa o uso de cercas para segurança, eliminando támbém os custos das operadoras com manutenção e vigilância dos sites."A torre deve integrar-se ao ambiente, independentemente se estiver situada em uma floresta ou na cidade. Além disso, deve ser agradável ao olhar e não pode agredir o meio-ambiente", afirma o diretor de Implementação de Redes da Ericsson, Clother Junior.

"Uma outra vantagem é que todo o equipamento fica guardado dentro da torre, sem a necessidade de usar outro material ou container externo, reduzindo de 60% a 75% o uso de área para a construção de um site", completa o executivo.




5.6.07

Indústria de Telecom vai começar a demitir

Convergência Digital

O 51º painel Telebrasil, evento que reuniu os principais executivos de telecomunicações na Costa do Sauípe, Salvador, concentrou suas atenções nas movimentações das operadoras por um novo cenário no país e nos embates mercadológicos com a radiodifusão mas, mesmo que como pano de fundo, expôs um cenário não muito favorável para um dos pilares do setor: o da indústria. Boa parte dos fabricantes presentes ao encontro admitiu que o limite chegou.

Os primeiros cinco meses do ano ficaram muito abaixo da expectativa, do ponto de vista de aquisições. Apesar de cautelosos, muitos já admitem que as demissões serão inevitáveis, uma vez que não há mais, segundo eles, onde cortar custos para sustentar os parques fabris no país. Os meses de abril e maio não trouxeram nenhuma mudança em relação ao primeiro semestre do ano, considerado o pior do setor nos últimos tempos.

Isso porque o 'congelamento' de pedidos das operadoras permaneceu, uma vez que elas continuam à espera das novas licenças, além de acordos com o governo para realizarem um novo ciclo de investimentos. No momento, afirmam os fabricantes, os aportes das teles acontecem tão somente na manutenção e suporte das atuais operações.

Soma-se ao momento das operadoras, o problema do câmbio. Se o presidente Lula conclamou os empresários brasileiros a lutarem contra a China, no setor de telecom, esse alerta se mostra inviável com o real tão em baixa. As indústrias brasileiras, afirmam os executivos, estão levando uma 'goleada' das unidades fabris de suas próprias empresas instaladas na China. Neste embate, os contratos globais ficam com os chineses.

"Já tinha reduzido bastante a minha produção no Brasil. Mas, com o câmbio abaixo de R$ 1,90, fico totalmente sem condições de tentar competir com a fábrica da Alcatel-Lucent instalada na China. Eles levam todos os contratos. Não há como competir internamente", reclamou o presidente da Alcatel-Lucent, Jônio Foigel.

Goleada chinesa

O vice-presidente comercial da Ericsson, Carlos Duprat, que há muito diz que a desindustrialização do setor é um risco de curto prazo, diz que o câmbio abaixo de R$ 1,90 é um 'desastre' para as fábricas multinacionais instaladas no país. "Muitos se esquecem que somos responsáveis pela geração de empregos no país. E contratamos muitos brasileiros, que estão no chão de fábrica", diz Duprat.

"Mas se não temos demanda interna e não há como competirmos com as unidades no exterior, simplesmente não temos como manter o parque fabril. Temos um negócio que precisa se sustentar. Fechar uma fábrica em silêncio é fácil. Reabri-la é que é a tarefa mais complexa", adverte o executivo da Ericsson, que fechou o último grande contrato de expansão de rede - a da infra-estrutura GSM da Vivo.

"Estou perdendo contratos para a RFS da China, e até para a RFS do México", declarou Luiz Antonio Oliveira, presidente da RFS Telecomunicações para a região da América Latina, fabricante de antenas para o setor. No Brasil, a empresa emprega entre funcionários diretos e indiretos, cerca de 600 pessoas. Uma linha fabril já foi perdida para o México: a de antenas de grande porte para operações WiMAX.

"Fui obrigado a fazer essa opção. É mais barato para a RFS produzir no México do que aqui no Brasil. Cheguei no meu limite. Montei um parque no país para ser uma operação global. Mas, infelizmente, estou com sérias dificuldades para manter a sua operação", declarou Oliveira, reiterando o posicionamento dos demais fabricantes. Com relação à China, a situação é ainda mais grave.

"Não adianta para nós, executivos, ficarmos falando que a situação dos empregados na China é isso ou aquilo. O Brasil sofre com carga tributária, com mão-de-obra mais cara e com o câmbio extremamente desfavorável. As exportações, que eram uma saída, estão cada vez mais impraticáveis, inclusive para o próprio Mercosul", completou Oliveira.

O presidente da Nokia Siemens Networks, Aluísio Byrro, foi outro executivo a revelar sua preocupação com o momento nacional. A empresa, que está estruturando sua operação após a megafusão, mostra-se temorosa com os rumos da economia brasileira em relação ao setor de telecom.

"Falar que os empresários precisam se adaptar aos tempos e dizer que o câmbio não é uma questão que nos causa problemas é ter uma visão limitada das ações empresariais. O Brasil quer investir em hardware sendo muito mais caro que qualquer outra unidade instalada em um país emergente?", questionou Byrro.

Diretor de telecomunicações da Abinee e presidente da Nec do Brasil - fabricante que suspendeu toda a produção local no país, Paulo Castelo Branco, não escondeu a sua decepção com o governo Lula, que endossou, passando por cima de um acordo fechado no Congresso Nacional, uma posição unilateral da Receita Federal, contra a inclusão do setor nos benefícios da Lei da Inovação.

"Eles não mudam a situação atual do setor, mas nos ajudariam a suportar um pouco mais a questão do câmbio. É uma situação surreal impedir que tenhamos acessos aos recursos da Lei de Inovação porque temos os benefícios da Lei de Informática", declarou o executivo.

"O setor de Telecom ficou fora do Programa de Aceleração do Crescimento. Também não teve nenhuma MP do Bem, para dar um alento ao setor. A Lei de Inovação seria esse plus favorável e com um diferencial: ele impõe recursos para o software, que é o onde o Brasil precisa e deve apostar. Mas, ao que parece, não é essa a política do governo", conclui Castelo Branco.

Apesar do momento crítico, os fornecedores ainda mantêm a esperança de recuperar o ano de 2007, se de fato, houver um acordo entre governo e operadoras para a informatização das escolas e a adoção de uma Parceria Pública Privada para o suporte de um Plano Nacinal de Banda Larga. Também esperam que a Anatel consiga, como prometido pelo conselheiro José Leite, presente ao evento, destravar os leilões da Terceira Geração e do WiMAX.

18.5.07

Leilão de 3G é questão de sobrevivência para a indústria


Convergência Digital

O leilão das licenças da Terceira Geração precisa acontecer até o terceiro trimestre deste ano. O alerta é feito, mais uma vez, pelo vice-presidente da Ericsson Brasil, Carlos Duprat. Segundo ele, os números da balança comercial do segmento, onde há uma queda significativa na produção local e na exportação de equipamentos, é a maior prova que a indústria não está, de fato, vivendo um bom momento. "Sem 3G num prazo rápido, não haverá pedidos e o ano de 2007 estará perdido", repete.

A própria Ericsson, que recém-incorporou empresas ligadas à oferta convencional de banda larga, como a Tandberg, por exemplo, e a própria RedBack, do mundo IP, está voltando sua linha de produtos para o negócio de banda larga fixa, onde até então, não havia portfólio para disputar as concorrências. "Estamos avaliando todas as oportunidades para manter o parque fabril em atividade. A banda larga fixa nos ajuda a manter os processos", destaca Duprat.

O executivo, ao ser questionado sobre o fato de a reclamação da indústria não ecoar de forma tão incisiva em setores do governo, que consideram as reclamações "choro" de fabricante, diz que, no caso da Ericsson, há uma preocupação com os cerca de 12 mil empregos diretos e indiretos gerados no Brasil, a partir da unidade fabril aqui instalada.

"Se eu tiver que paralisar minha produção, como vou manter essa geração de emprego?", questiona. "Como o próprio presidente Lula observa a nossa disputa é com a China. E estamos sem competitividade na moeda e também porque não há acesso ao mercado brasileiro para novas tecnologias", completa o vice-presidente comercial da Ericsson Brasil.

Mesmo com novos caminhos, a Ericsson Brasil revela grande preocupação com a falta de definição em relação ao lançamento do edital das licenças de 3G no país. Segundo, Duprat, a própria Ericsson foi a última fabricante a vencer um grande contrato no Brasil - o da Vivo, que montou a infra-estrutura GSM.

"As empresas já querem apostar na nova infra-estrutura e têm recursos para atualizarem suas redes. O atraso do edital prejudica toda a cadeia produtiva do setor de telecomunicações. Esse edital tem que acontecer ainda este ano, senão o Brasil perderá o rumo no mercado de Terceira Geração. As fábricas são globais. Elas existem onde há escala e volume de vendas", completa o executivo.