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6.6.08

PL29 e Divergências conceituais no TeleBrasil 2008


CONVERGÊNCIA DIGITAL

Apesar do consenso ser geral com relação à urgência de tratar a questão de conteúdo no país, no primeiro grande painel executivo do Telebrasil 2008, realizado nesta quinta-feira, 05/06 executivos não conseguiram chegar a um acordo sobre o melhor modelo para a aprovação do Projeto de Lei 29, em tramitação no Congresso Nacional.

Para o vice-presidente da TV Bandeirantes, Walter Ceneviva, aprovar o PL 29 como ele está atualmente é manter a concentração e a verticalização já existente, no entanto, ele é totalmente contrário a uma possível divisão estrutural da legislação em duas áreas - conteúdo e infra-estrutura. Já a presidente da TVA, Leila Loria, diz que, neste momento, o melhor seria aprovar o já acordado, mesmo que isso signifique a divisão do PL em partes.

"Se houver essa divisão será a morte", sentenciou Walter Cenaviva, vice-presidente da TV Bandeirantes. Para ele, "a comissão de Ciência e Tecnologia, infelizmente, não soube lidar com a pressão de um único agente ( referindo-se à TV Globo). Dividir o PL para garantir a sua aprovação não resolverá o problema porque essa cota de três canais é irrisória", completou o executivo.

A presidente da TVA, Leila Loria, admite que a aprovação do PL 29 "está difícil". Segundo ela, a questão da imposição das cotas não resolve o problema de limitação de acesso aos canais mais importantes, como o de esportes, por exemplo, nem assegura para a indústria nacional de audiovisual a garantia da aquisição de espaço", reforçou a executiva.

Leila Loria tem uma posição diferenciada da apresentada por Walter Ceneviva, da Bandeirantes. Para ela, o melhor seria pegar os pontos acordados e deixar os mais polêmicos, como a definição de cotas, para depois. "Assim se poderia ganhar tempo e haver a unificação dos serviços de TV por assinatura", reforçou. A presidente da TVA é favorável à divisão do PL 29 para atender, de forma distinta,a parte ligada à conteúdo e à infra-estrutura. "Se essa é a alternativa, que a façamos", completou.

O presidente da Claro, João Cox, foi mais cauteloso ao se posicionar. Segundo ele, a imposição de cotas é preocupante. Para ele, o mais importante é fomentar a produção de conteúdo nacional. O presidente da Ancine - Agência Nacional de Cinema, Manoel Rangel, foi mais incisivo.

Totalmente favorável à imposição de cotas para o conteúdo, o executivo observou que, no Brasil, não há espaço para a produção independente e brasileira na TV paga e aberta. "O Brasil paga muito mais caro pelo serviço do que é cobrado na Espanha, na Argentina, no Chile, onde há uma maior presença de conteúdo local na programação", ponderou o executivo.

Rangel defendeu a imediata mobilização para a aprovação do PL 29. Participando pela primeira vez do evento Telebrasil, Rangel observou que há "uma janela de oportunidades" para o mercado de TV por assinatura. Apenas na classe C há 45,8% de domicílios para serem conquistados.

O presidente da Ancine disse que o PL 29, em discussão há um ano e meio, foi uma "reflexão ponderada, democrática sobre o impacto da convergência digital, mas que não poderá atender aos interesses de todos 100%".

Posição, aliás, respaldada pelo secretário de Audiovisual do ministério da Cultura, Sílvio Pirôpo Da-Rin. Segundo ele, o PL 29 é emergencial e não terá a capacidade, jamais, de atender a todos.

"Sempre haverá algum tipo de descontentamento. O momento é de pensar na possibilidade de mudar. De revolucionar o processo porque está se discutindo o serviço prestado, não mais a tecnologia onde ele está sendo ofertado. "Certamente o PL 29 não é o ideal, mas é o possível, é o consenso de hoje para ampliar o acesso à cultura para camadas da população ainda não-atendidas", finalizou Da-Rin.

29.8.07

Ancine defende proteção para produção de conteúdo nacional

IDG Now!

Brasília - Para diretor presidente da Ancine, Manoel Rangel, empresas deveriam ter 70% do capital brasileiro nato ou naturalizado.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, defendeu, em audiência pública no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que deve ser privativo de empresas brasileiras as atividades de produção e programação para as televisões a cabo.

Para Rangel, empresa brasileira deve ser entendida como está no capítulo da comunicação social na Constituição – empresa com, no mínimo, 70% do capital pertencente a brasileiro nato ou naturalizado há mais de dez anos. Com relação ao conteúdo audiovisual a produção deve ser dirigida por brasileiro e a equipe técnica deve ser, na maioria, integrada por brasileiros.

Ao defender a participação majoritária de empresas brasileiras em programas de conteúdo audiovisual, Manoel Rangel disse que as atividades principais são inerentes à comunicação audiovisual, enquanto as atividades de provimento e distribuição (ou operação de rede) são acessórias, que pertencem, segundo ele, à camada das telecomunicações.

Para Manoel Rangel, o importante no momento é que “seja construído um marco legal, que dê conta da especificidade da camada de telecomunicações e que defina a especificidade da camada de comunicação audiovisual”.

O diretor-presidente da Ancine disse que “é preciso unificar parâmetros regulatórios, para regulamentar um cenário de convergência digital, é preciso adotar algumas salvaguardas, é preciso preservar o interesse público nesse processo”.

Segundo Manoel Rangel. “o Brasil fez uma opção por ser um centro produtor de conteúdos audiovisuais, então o país precisa ter empesas fortes de produção de conteúdos audiovisuais, de programação, de empacotamento. Para isso, é preciso que haja espaço nas redes para que esse conteúdo brasileiro circule”